
Seguinte, este será o último post do ano então Boas festas para todos os leitores! Obrigado por permanecer fiel a mais um ano de bobagens. Como presente segue abaixo um conto Natalino:
Eis que sábado parti com a namorada e meu melhor amigo para comprar ingressos para assistir ao glorioso Avatar, de James Cameron.
Se você chegou aqui querendo saber mais sobre o filme vou logo dizendo: Cai fora. O que eu vou contar aqui foi muito mais engraçado.
Pois bem, chegando lá na entrada do cinema já fiquei super frustrado ao saber que TODOS os ingressos para as sessões 3D tinham se esgotado. Se eu ao menos tivesse a menor idéia do que seria ver o filme no dia seguinte eu não teria amaldiçoado a minha falta de sorte, tamanha antecipação para ver o filme. Se eu soubesse do que ocorreria na sessão do dia posterior eu teria trocado o ingresso do sábado para o domingo.
Agora vamos ao que interessa. No dia seguinte, o maior adrenaline rush que eu já senti na minha vida. Saquem só:
Antes de mais nada tenha em mente que eu moro no primo pobre do Sudeste: No Espírito Santo só existe 1 cinema que exibe o filme em 3D. Só haviam 2 sessões por dia. Domingo passado foi o ultimo fim de semana antes do Natal. Agora tu imagina só a quantidade de gente que haveria para assistir Avatar às 18:10.
Era tanta gente que a fila para a sessão de 18:10 foi formada às 17:40. É hilário (e um pouquinho deprimente) ver mais de 200 pessoas se aglomerando num lugar apertado para ver um filme em 3D. Pra falar a verdade eu acho que até estaria rindo naquele momento se eu não tivesse exatamente no lado oposto do shopping enquanto aquilo acontecia.
Meu amigo foi para a fila enquanto eu estava na fila de um caixa com a namorada exatamente uns 300 metros de distância do cinema. Eu contava que meu amigo fosse guardar nossos lugares com unhas e dentes para que eu pudesse assistir o filme mais aguardado do mês num ângulo de visão maior que 40º graus no cinema.
Quando o atendente de opção sexual duvidosa mais rápido que eu já vi operar uma caixa registradora neste planeta terminou de dar o costumeiro “Obrigado por comprar nas lojas (Só revelo o nome pagando) e boa noite”, segurei minha namorada pelo pulso e… Sim pelo pulso, e não pela mão. Mãos quando podem suar ao passo que segurando ela pelo pulso eu poderia trotar pelo shopping atropelando todos na frente sem perder o grip necessário para arrasta-la com segurança e garantir que ela não fosse deixada para trás. A segurei pelo pulso e corri como um louco para chegar no cinema antes da fila organizada virar uma turba de gente maluca tentando entrar no cinema.
Chegamos na fila para entrada da sala exatamente as 5:58. Minha namorada foi comprar pipoca enquanto eu e meu amigo esperávamos tranqüilamente na fila. Contudo a ira do infortúnio recaiu sobre nós e a pipoca acabou EXATAMENTE na hora que estavam enchendo o saco da minha namorada (e saco aqui se refere ao saco de pipoca mesmo e não metafóricamente falando).
Vocês precisavam ver minha cara de frustração quando me juntei a minha namorada vendo todas as pessoas entrando no cinema na minha frente. Foi até bonitinho ver a carinha dela de “desculpa a culpa não foi minha amor”. Infelizmente meu cérebro estava mentalizando cada pessoa sentando nos melhores lugares, e fui incapaz de não ficar com cara de cachorro que caiu da mudança e foi atropelado pelo carro que vinha atrás e fica triste pois usará aquela parada ridícula no pescoço e será motivo de chacota para todos os outros cães da região. Sim, essa era a cara que eu estava fazendo.
A única salvação seria que meu amigo estaria como um paladino em nome da justiça lutando contra uma horda de trolls que desejavam sentar nos nossos lugares. Isso seria um pensamento reconfortante se esse paladino não estivesse mais para um white mage zen-budista, banana e pacífico que seria incapaz de levantar a voz para defender a própria mãe.
Quando sentamos com nosso super mega combo de 500ml de refrigerante e um balde de meio quilo de pipoca com manteiga quente meus olhos se encheram de lágrimas ao ver que os lugares ao lado do meu amigo ainda estavam vagos.
Agora vejam como os deuses que controlam o universo conspiraram para que ao invés de eu ficar mais puto e perder meu lugar perfeito, eu pudesse escrever um post neste blog: Exatamente no mesmo lugar só que uma fileira mais acima, um casal sentou-se confortavelmente mas escutou o seguinte protesto:
- Ei amigo, este lugar está guardado pra um amigo meu, olha os oculos 3D dele marcando o lugar aí ó.
Como eu ainda estava me ajeitando com a namorada na minha poltrona só tive tempo de escutar um sujeitinho magro de óculos esbravejar algo parecido com
- Não vamos sair daqui, não interessa que você chegou na minha frente! O que importa é que eu cheguei na frente do seu amigo QUE NÃO ESTÁ AQUI. NÃO VOU SAIR!
Nesta hora o barraco estava armado e cerca de 250 pessoas olhavam para o espetáculo. E como toda namorada que se preste a namorada do cara nervoso estava com aquela cara de “Para com isso agora” . Se você possui namorada/noiva/esposa com certeza você já viu esta cara. É o rosto incompreensível da mulher que constantemente pede que você brigue por ela mas quando você de fato o faz ela se sente envergonhada de estar ao seu lado.
Que isso é vergonhoso todos nós homens sabemos, mas o namorado dela que já estava nervoso e não sairia dali por nada perdeu a razão completamente e gritou:
- Porra, não tá afim de ficar aqui então VAI EMBORA! GO AWAY I’M DOING THIS FOR YOU!
A mulher simplesmente sem nem pestanejar levantou e saiu.
Neste momento duas perguntas pipocaram na minha cabeça: Por que aquele idiota descontou na pobre coitada que não tinha nada com isso? E a segunda e muito mais importante, porque diabos o cara tava falando inglês?
Assim que acabei de fazer a segunda pergunta pros ali presentes, meu amigo fez uma pausa de fez uma revelação digna de flashback se estivéssemos num filme.
Como este blog é meu eu vou contar como se fosse um flashback mesmo então imagine aí aqueles efeitos de transição tosco de filmes B.
Corta para uma sala de aula. Meu amigo está sentado tendo aula com uma professora chamada Daria, popularmente conhecida como “Wouldyougiveme” (trocadilho do caralho hein?). Wouldyougiveme era russa e não falava português bem. “Wouldyougiveme” confessou que recentemente tinha se casado com um cabeleireiro.
- Então esse cara aí é uma bichona! - minha namorada interrompeu o flashback abruptamente sussurrando nos meus ouvidos.
Agora o Cabeleireiro Maluco estava na pior situação possível: em menor número com cara de idiota sozinho num cinema onde fizera o maior papel de bobo. O desespero do cara foi tanto que o Cabeleireiro Maluco desabafou:
- É, a gente faz as coisas para elas e elas deixam a gente aqui. Na mão. Vou ver o filme sozinho mesmo.
Eu já tava rindo horrores mas quando o cara descobriu que a tal russa além de ter ido embora tinha levado embora o dinheiro dele eu quase tive um ataque. Saca quando o cara tá falando alto? Agora imagina isso num cinema, num ambiente controlado para fornecer a melhor acústica possível com o maior numero de pessoas. O cara já tinha se levantado da cadeira ameaçando a sair, seu cérebro estava dividido entre dois pensamentos conflitantes: a) Devo ir atrás da minha esposa que mal sabe falar português ou b) Perder meu lugar privilegiado E o filme Avatar?
Isso foi tudo que escutamos:
- Daria, come back here. Come back here. Ok. Ok. Don’t come back BUT GIVE ME MY MONEY! You hate me? HATE ME?
- WHY ARE YOU MARRYING ME? WHY ARE YOU MARRYING ME? I DON’T GIVE A SHIT! A SHITIII!
(Interrupção. Tanto eu quanto minha namorada damos aula de inglês. Se a situação já não fosse hilária por si só imagina essas frases sendo proferidas naquele sotaque que chega faz seu ouvido doer de tão carregado que é. E o melhor de tudo é que quanto mais nervoso ele ficava mais confuso e broken o inglês dele se tornava. Ele já estava chegando ao ponto de trocar todos os tempos verbais de tanta raiva. Vejamos então o que saiu no alto do showzinho do Cabeleireiro Maluco:)
- FUCK YOU! FUCK YOU! FUCKING THE FUCKING FUCK! FUCK THE FOCA! FUCKING THE FUCK FOCA!
Neste momento toda a fileira começou a rir. O cara se enrolou tanto que ele pronunciou fuck literalmente como foca. Com ó aberto e a no final. Começamos a fazer piadas em voz baixa a respeito de tortura e abuso de animais enquanto chorávamos de tanto rir.
Enfim, ele se levantou e saiu do cinema quando as luzes começaram a se apagar. O logo 3D teve como trilha sonora um I DONT GIVE A SHIiiii…. que se abafava ao som da propaganda do Real D. Escutei um último “fuck the fucking foca” e tive de voltar a atenção para o filme que começava.
Fica aqui então aqui a moral de minha história de Natal.
Se você ainda não assistiu Avatar corra para o cinema mais próximo, pois o filme é tão bom mas tão bom que um Cabeleireiro gay que estava dando um golpe em uma russa arruinou seu casamento para assisti-lo.
A pergunta final é: Avatar, você foderia uma foca por ele?
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